Para simplificar, irá apresentar-se um modelo de explicação,
que favorece os aspectos cognitivos, ou seja, os pensamentos
associados à questão da alimentação. Obviamente, os outros
aspectos também são citados, no entanto, não são explorados tão
profundamente, por questões de simplificação.
No esquema abaixo apresentado, é possível observar que as
pessoas em relação aos comportamentos alimentares entram em
ciclos, ou seja, umas coisas levam a outras até que o ciclo é
formado, e a pessoa sente-se quase como empurrada a realizar os
comportamentos que tenta evitar. No fundo, os problemas
alimentares acabam por ser uma “pescadinha de rabo na boca”.
Como em qualquer ciclo, o início do mesmo pode ser um dos
vários pontos do ciclo, para simplificar começaremos pelo que
aparece em primeiro lugar, no esquema.
Existem várias situações e estados emocionais que a pessoa
pode sentir em qualquer altura aos quais chamamos de estímulos
activadores, pois iniciam facilmente o ciclo ao provocar
desconforto emocional. Na fase seguinte, a pessoa já se sente
desconfortável e a necessidade principal é diminuir ou eliminar
o desconforto gerado, activam-se para tal as crenças associadas
a este processo, como por exemplo, a ideia de que comer algo, vai
deixar a pessoa mais calma.
As crenças na maior parte das vezes não são conscientes, ou
seja são ideias em que aprendemos a acreditar durante a nossa
aprendizagem enquanto crianças e ao longo da vida e das nossas
experiências, mas que não pensamos nelas, ocorrem na nossa mente
de forma muito rápida e sem que nos apercebamos, excepto no caso
de fazermos um esforço por aperceber-nos delas, elas ocorrem de
forma inconsciente.
As crenças activadoras dão origem a pensamentos, estes sim
conscientes, mas não propositados, por esta razão são chamados
de pensamentos automáticos. Os pensamentos automáticos geram
necessidades que são sentidas de forma muito forte. Estas
necessidades desencadeiam um conjunto de crenças chamadas
facilitatórias, cuja função é precisamente facilitar o
comportamento, ou seja, são um conjunto de “desculpas” que a
pessoa tem para legitimar o comportamento.
Rapidamente a pessoa foca-se nas estratégias que vai pôr em
prática de modo a conseguir satisfazer a necessidade de comer
que se gerou. Normalmente é muito difícil de parar nesta fase, a
maior parte das pessoas quando estão nesta fase do ciclo não
conseguem interromper o comportamento, acabando por comer.
Precisamente devido à força das últimas fases descritas e à
consciência que se tem das mesmas, a pessoa acaba por sentir que
“falhou” mais uma vez nas tentativas de seguir uma dieta
alimentar mais equilibrada. Todas as emoções relacionadas com o
mal-estar que esta constatação produz, têm como consequência
diminuir a auto-estima a vários níveis, a pessoa sente-se menos
capaz, começa a acreditar que não tem suficiente força de
vontade, sente-se mais “feia” fisicamente, desiludida com ela
própria, etc..
A diminuição da auto-estima pode conduzir a sintomas de
ansiedade e depressão, e a conflitos interpessoais. Como se
observou anteriormente, estes aspectos constituem os estímulos
activadores do ciclo, ou seja, compreende-se agora de que forma
estamos perante um ciclo vicioso difícil de quebrar.